PUBLICIDADE

Descongestionante agrava rinite alérgica

Efeito surge quando o remédio é usado fora das crises

Espirros, coceira, irritação. A rinite alérgica é o que há de mais incômodo com a chegada do outono-inverno. Pior que ela, só mesmo a rinite medicamentosa, que tem como principal agente ativador, o uso indevido e desenfreado de descongestionantes nasais.

Adotados por considerável parte da população como itens de cabeceira, os descongestionantes nasais tópicos, aqueles em gotinhas, escondem um verdadeiro risco quando usados sem acompanhamento médico. Seu uso continuado por mais de uma semana pode gerar dependência química, a ponto de o indivíduo fazer uso do medicamento mesmo sem estar com a narina congestionada. "Eu faço uso de descongestionante várias vezes ao dia há dois anos. Não consigo mais viver sem ele", diz Daniela Gonçalves, 19 anos, estudante de jornalismo.

O perigo da má administração do remédio, além do vício, são os males ao próprio sistema respiratório, como o efeito rebote. "Se a pessoa tem rinite alérgica, por exemplo, e usa descongestionante em gotas para aliviar a obstrução do nariz, o resultado é que com o uso continuado, mesmo que por poucos dias, surge o efeito rebote e a dependência química se instala. A partir daí existem agora dois problemas: a mesma rinite alérgica e o que se chama de rinite medicamentosa, provocada pela gotinha. Já os sprays nasais antiinflamatórios da rinite alérgica, que devem ser utilizados de forma continuada, são seguros e não geram dependência", explica Renato Roithmann, diretor da Academia Brasileira de Rinologia (ABR).

Longe de serem saudáveis, estão também os descongestionantes de uso oral, em comprimidos. São um pouco menos prejudiciais que os de uso tópico, pois, não causam dependência química, porém podem acarretar alguns sintomas como ansiedade, insônia, aumento da frequência cardíaca , aumento da pressão arterial e retenção urinária."O importante é lembrar que seja qual for a procedência do medicamento, mesmo que aparentemente simples gotinhas, consulte um médico antes de fazer uso", conclui Roithmann.